Economista e advogada, é presidente do Conselho Acadêmico do Livres; foi diretora do setor de privatizações do BNDES (1994-1996, governo FHC) e presidente do Conselho de Administração da Eletrobrás.

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Pedro Parente mudou de forma radical a administração da Petrobras. Os números da empresa falam por si. Mais do que a boa gestão financeira, ele reorganizou a sua governança, indo além das exigências impostas pela Lei das Estatais. Administrador experiente e com passagem prévia no setor público, ele sabia da importância de blindar a Petrobras contra a intervenção política.

Parente definiu uma regra para o reajuste de combustíveis com a sua diretoria, conseguiu implementá-la de forma transparente, e foi aplaudido por isso. Mas o país tem memória curta. O fato da política de preços do governo PT ter quase levado nossa maior estatal à falência não era garantia de que novas tentativas de interferência não ocorreriam.

De fato, o primeiro choque de oferta no mercado internacional trouxe a intervenção de volta e desmoralizou a regra. O governo e os políticos ainda não entenderam o que é uma sociedade de economia mista e suas obrigações definidas na Lei das Sociedades Anônimas. É uma estrutura societária difícil: ora se exige que se comporte como empresa privada em suas obrigações estatutárias, ora se cobra a função social de uma sociedade controlada pela União. Por isso, a necessidade de regras claras e fortes, com governança independente.

A função social da Petrobras não é, nem nunca foi, a de subsidiar combustíveis. A sua contribuição ocorre através dos recursos que paga à União em dividendos ou que deixa de absorver do controlador. Muitos parecem esquecer que a conta petróleo, agora reinstituída, compete por recursos escassos com os gastos sociais do governo. Sendo assim, o anúncio de que os R$ 9,5 bilhões de subsídios saíram de cortes em áreas essenciais não deveria pegar ninguém de surpresa. Já deveríamos ter aprendido que dinheiro não cresce em árvore. Parente tinha consciência disso e trabalhou para fortalecer a Petrobras.

Sempre bom lembrar que Pedro sucedeu presidentes envolvidos na Lava Jato – um deles preso, inclusive. A influência política nas empresas estatais afasta os bons administradores e pode trazer essa turma de volta.

A permanência de Parente se tornou insustentável por completa divergência na condução da política de preços. Sua saída é má notícia. Mas a empresa não pode depender de uma pessoa para se estabilizar e crescer. A blindagem que ele criou será testada agora. Infelizmente, a tendência é de que ela não sobreviva à volta do intervencionismo, do populismo e da demagogia com o chapéu alheio.

Esse episódio mostra que não há atalhos. Muitos argumentavam que a administração de Parente simbolizaria a desnecessidade da privatização; bastaria uma boa governança. O fim de sua gestão demonstra justamente o contrário. A crise dos caminhoneiros nos dá razão. É tempo de privatizar a Petrobras.