Graduando em História, é associado do Livres e coordena nosso Clube do Livro. Nasceu em Belo Horizonte. Gosta de liberalismo, política, Formula 1, estudar História e de batata.

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Se você já estudou a tradição das ideias da liberdade pela vertente econômica, muito provavelmente conhece o primeiro autor de 2020 do Clube do Livro. Adam Smith e a sua Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações é uma das obras fundadoras do que conhecemos como economia moderna.

Ela é, também, um dos primeiros passos do liberalismo nas relações econômicas humanas. Uma discussão sobre política externa, egoísmo e economia, o trabalho de Smith impactou e influenciou a nossa história como poucos textos liberais conseguiram. Justamente por isso, é a próxima leitura do nosso Clube do Livro.

Saiba mais sobre o que fez A Riqueza das Nações ser tão importante!

Quem foi Adam Smith?

Adam Smith nasceu em 1723 na Escócia. Durante grande parte da sua vida, trabalhou como um filósofo na Universidade de Glasgow. Lá, ensinou ética, política, direito e retórica.

Por grande parte da sua carreira, Smith foi mais conhecido por outro livro, Teoria dos Sentimentos Morais, lançado em 1759. Justamente por isso, para os seus contemporâneos, o autor de Riquezas as Nações era mais lembrado como um membro do Iluminismo Escocês do que pelo liberalismo econômico.

Afinal de contas, o que faz uma nação rica?

A discussão sobre o que faz uma nação mais poderosa e rica não é nova. Ao longo dos últimos séculos, grupos de pensadores se voltaram para essas questões e, a partir dos seus pontos de vista, construíram múltiplas respostas.

Hoje há, por exemplo, os que olham para a felicidade da população como uma forma de apontar o seu nível de desenvolvimento. Para os mercantilistas dos tempos de Smith, a resposta estava no acúmulo de reservas de metais, especialmente o mais valioso de todos: o ouro.

Mas como conseguir grandes montanhas douradas em seus cofres? Para os mercantilistas, a resposta era simples. Bastava fechar as fronteiras comerciais dos países e, ao mesmo tempo, vender o máximo de produtos que fosse possível para o maior número de lugares – mesmo que para isso fosse necessário usar a força.

Os países deveriam comprar o necessário, somente o necessário, já que o extraordinário poderia ser demais. O que se tinha, com base nessa ideia, era a criação de um ciclo perverso de guerras, nacionalismo e baixa geração de riquezas, ao menos aos olhos de Adam Smith.

O iluminista escocês identificou, corretamente, que as elites comerciais de cada país agiam para capturar o Estado e curvá-lo aos seus interesses. Grandes comerciantes influenciavam os processos políticos utilizando como apoio um discurso nacionalista que tratava a concorrência como inimiga da nação. Ao mesmo tempo, lutavam para que novos mercados fossem criados, sempre com caráter monopolista e com apoio militar.

Em outras palavras, os mercantilistas pregavam que um país deveria se tornar rico não com um fluxo de entrada e saída de mercadorias contínuo. Pelo contrário. Era necessário fortalecer o comércio com o apoio de uma poderosa força militar, capaz de subjugar nações e forçar a assinatura de tratados de comércio exclusivos, como o que Portugal tinha com a Inglaterra.

Smith traz uma nova proposta para o pensamento político econômico. Em Riqueza das Nações, o autor aponta que o comércio é algo que beneficia ambas as partes envolvidas. Ou seja, o vendedor ganha tanto quanto o comprador quando ele realiza uma troca comercial.

Por que isso ocorre? Uma resposta simples pode ser vista pela natureza humana. Quando nós somos livres para comprar o que o mercado internacional pode fornecer, não precisamos nos especializar em construir tudo aquilo que demandamos. Como consequência, o homem pode direcionar os seus esforços e saberes para as coisas que ele mais gosta.

Se você, caro leitor, ama fabricar pães, poderá se especializar em fabricar pães com a certeza de que outras pessoas se especializaram em fazer roupas, sapatos e até alfinetes. Conforme ganhar experiência, ganhará produtividade e a capacidade de produzir um número de pães que sirva às suas necessidades e possa ser vendido na feira mais próxima.

Pouco a pouco, é criado um fluxo de riquezas, em que as moedas passam de mão em mão e geram crescimento econômico. A economia de mercado, por permitir que cada cidadão possa focar naquilo que ele sabe fazer de melhor, se torna agente de criação de riqueza. Livres, somos capazes de escapar da miséria em direção à prosperidade.

A mão do mercado é realmente livre?

A ideia de “mão livre do mercado” é normalmente associada a uma defesa da não interferência do governo em todas as áreas da economia. Mas, se formos mais a fundo no pensamento de Adam Smith, é possível identificar que o seu pensamento é um pouco mais complexo do que isso.

A Riqueza das Nações não é uma simples obra de contraposição a regulações excessivas. Ela é, principalmente, uma resposta de centenas de páginas à captura do Estado pelas elites mercantilistas de seu tempo.

Em outras palavras, Smith era um pensador que via no mercantilismo uma força que gerava poucos avanços para a sociedade. Os maiores problemas para uma nação, portanto, não eram apenas quando o governo monopolizava uma área da economia. A ruína de um país surgia, também, quando o Estado se colocava a favor de interesses privados, ainda que isso pudesse impactar o bem público à primeira vista. Como consequência, toda a sociedade é obrigada a pagar pelos lucros de apenas algumas empresas.

Isso não quer dizer, porém, que Smith acreditava em uma “ditadura do livre mercado” como alguns de seus interpretes atuais pensam. O que o autor sonhava, sem achar que seria possível, era um mundo em que o poder das elites era limitado pelos agentes do Estado, sem que os agentes do Estado deixassem, também, de ter o seu poder limitado pela sociedade.

Afinal, Smith entendia que até mesmo o mais bem-intencionado político não era capaz de transformar a sociedade considerando todos os interesses pessoais dos cidadãos. Os governos, portanto, não deveriam agir para definir o que é bom para o povo. O consumidor, e apenas ele, é capaz de apontar que empresas devem sobreviver e quais devem falir.

Em seus vários capítulos, A Riqueza das Nações se sagra como uma homenagem ao interesse individual, às sociedades livres e aos governos que não ignoram os interesses públicos em prol dos interesses privados. Adam Smith, graças a esse livro, entrou para a história como o autor de um dos primeiros trabalhos de economia (como hoje entendemos a matéria) e uma das melhores defesas de uma economia aberta.

Para entender mais sobre como o autor pensou a economia e o papel do governo, participe do Clube do Livro do Livres.

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Se você quer saber mais sobre Adam Smith e o livro A Riqueza das Nações, nós podemos apontar como leituras recomendadas as seguintes obras: A resenha de Riqueza das Nações feita para blog do Insper Liber pelo Iago Folgoni, além das próprias obras do Smith, claro.