Daniel Duque é economista pela UFRJ e mestrando pela mesma instituição. Suas áreas de pesquisa abarcam educação, desigualdade e mobilidade social.

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Candidato a Presidência pelo PDT, Ciro Gomes afirma repetidamente, a cada entrevista, que as “despesas financeiras” representam 50% do orçamento público brasileiro. Diz ainda que as afirmações em contrário seriam “servis aos interesses do baronato”. Nada mais falso.

Ciro deliberadamente confunde conceitos para fazer frases de efeito. Então vamos por partes.

As despesas financeiras documentadas no orçamento se resumem a três coisas: pagamento de juros, amortização e rolagem da dívida. A maior parte desse montante historicamente vai para rolagem, e é muito importante que fique claro: esse componente não compete com as despesas do Estado. Ou seja: rolar a dívida não tira dinheiro da saúde, educação, investimento, etc…

Acompanhe a seguinte comparação: imagine que você assumiu duas dívidas com dois bancos, uma no Itaú e outra no Banco do Brasil. Uma delas você tem que pagar em 48 meses; a outra, em 72. Além disso, todo mês você paga o que é relativo aos juros dessas duas dívidas.

Passados 48 meses, você tem que pagar o que devia ao Itaú. No lugar de desembolsar todo o dinheiro, você prefere, alternativamente, pegar uma outra dívida no Bradesco, de um montante um pouco menor. Além disso, é claro, você pagou o montante dos juros das duas despesas naquele mês.

No 48º mês desde que você assumiu as dívidas, portanto, você vai colocar no orçamento três despesas: o pagamento dos juros e o pagamento da dívida do Itaú (o que obviamente vai ser um percentual alto do seu orçamento). Mas, é bom lembrar, você assumiu uma nova dívida com o Bradesco, ainda que um pouco menor.

Essa diferença entre a dívida do Bradesco e a do Itaú é o que você efetivamente pagou de amortização. A outra parte (a maior) é a rolagem da dívida – da qual você não teve que destinar sua renda para pagar, já que você substituiu uma dívida por outra.

De fato, você precisou diminuir o seu gasto com alimentos, saúde, etc. Só que para pagar os juros e a amortização. Não para rolar a dívida.

Três coisas então: juros, amortização e rolagem. A maior parte das despesas financeiras no orçamento são rolagem, o que não compete com os demais gastos do governo. Não faz sentido, portanto, incluir isso no rol de problemas fiscais do Brasil. Essa é uma operação contábil amplamente utilizada.

Ciro faz uso desse recurso retórico para confundir e parecer que está botando um dedo na ferida e acusando um grande absurdo mascarado. Não caiam nessa.

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