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Graduando em História, é associado do Livres e coordena nosso Clube do Livro. Nasceu em Belo Horizonte. Gosta de liberalismo, política, Formula 1, estudar História e de batata.

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As primeiras etapas da tradição liberal foram marcadas por uma luta contínua pela autonomia dos indivíduos. John Rawls faz parte de uma tradição contemporânea de pensadores que foram além e pensaram a liberdade a partir da igualdade de oportunidades e o senso de comunidade. E Uma Teoria da Justiça, texto analisado nesse mês pelo Clube do Livro, é a obra que melhor define essa linha de pensamento.

Uma Teoria da Justiça é um tratado filosófico longo e detalhado em defesa de um novo contrato social liberal. Garantidor de oportunidades e com grande foco no combate a desigualdades naturais, esse “novo liberalismo” moldou o pensamento de liberais em todo o mundo. Justamente por isso, esta é a obra de abril do Clube do Livro.

Continue a leitura e entenda a importância de Uma Teoria da Justiça para o século XXI!

Quem foi John Rawls

John Rawls nasceu em Baltimore, nos Estados Unidos, em 1921. Trabalhou como professor de filosofia política na Universidade de Harvard ao longo de boa parte de sua carreira. Enquanto professor, publicou Uma Teoria da Justiça (1971), Liberalismo Político (1993) e O Direito dos Povos (1999).

Modesto, Rawls afirmava que escolheu a filosofia por não ser bom o bastante em música ou matemática. Anotava todos os questionamentos feitos em debates e pedia tempo para pensar as respostas que lhe faltavam. Poderia ter se tornado um jogador de baseball, mas escolheu a carreira de intelectual, oficio que exerceu até a sua morte, em 2002, aos 81 anos.

Sociedades orientadas pela empatia

Em Uma Teoria da Justiça, John Rawls busca uma fórmula para a justiça social com base na racionalidade. Para esse processo, o autor criou um sistema de regras pautado na fé de que seres humanos, nas condições corretas, podem tomar decisões que beneficiam toda a coletividade.

A partir de uma “posição original”, a sociedade deve definir quais são os direitos e deveres de todos os seus membros. Essa decisão deve ser tomada ignorando o lugar que cada um ocupa na sociedade, seus talentos ou ambições. Assim, cobertos por um “véu de ignorância”, poderíamos escolher o ponto de partida aceitável para todos os membros da comunidade.

Essa é a receita básica para alcançar a “justiça como equidade”. Sem saber qual condição teríamos como ponto de partida, Rawls pressupõe que invariavelmente buscaríamos aquilo que favorece a maioria das pessoas. Não por puro altruísmo, mas por terem a fé de que todos devem ter o mínimo de direitos, liberdades, renda e conhecimento para buscarem o seu futuro com autonomia.

Em outras palavras, os indivíduos na “posição original” seriam compelidos a montarem um contrato social conforme os dois princípios da justiça, que são:

  • todos tem direito ao máximo de liberdade possível, sem que isso prejudique a liberdade alheia;
  • as decisões sociais só podem permitir desigualdades se elas forem benéficas para os mais vulneráveis.

Um contrato social igualitário e livre

Quando Uma Teoria da Justiça foi publicado, o utilitarismo ainda marcava uma grande parte do pensamento liberal. Rawls rompeu com essa tradição e trouxe o contratualismo de volta para a tradição liberal. Com ousadia, o filósofo estruturou e justificou, ao longo de pouco mais de 600 páginas, um contrato social moderno, robusto e capaz de responder aos questionamentos levantados pelas esquerdas ao longo do século XX sem romper com a valorização da liberdade.

O contrato social de John Rawls traz o capitalismo para os pobres e a modernidade. Vai além de um conjunto de regras sociais e a legitimação da existência do Estado. Por meio do seu “véu de ignorância”, garante que todos se preocuparão em buscar condições mínimas para que cada membro da sociedade consiga sempre atingir o seu potencial, de maneira plena.

Uma Teoria da Justiça consegue combinar o direito à autonomia, tão caro a liberais, com as condições para que ela seja exercida sem dificuldades. Mas, ao mesmo tempo, fundamenta um conjunto de instituições essencialmente liberais. Elas devem permitir a fundamentação de uma sociedade de mercados livres que seja próspera e consiga redistribuir a renda para maximizar as suas possibilidades.

Um liberalismo para o capitalismo moderno

O século XXI foi marcado por duas grandes correntes liberais. Uma, que Merquior sempre foi crítico, adotou um ideal liberista e um grande foco na liberdade econômica como fim em si mesmo. Já outra corrente, via nas desigualdades de um capitalismo cada vez mais globalizado, um limitador para o desenvolvimento humano e a plena realização de cada cidadão.

John Rawls faz parte dessa segunda linhagem, que busca uma sociedade com real igualdade de oportunidades e liberdade para o crescimento autônomo. Em função disso, não é errado dizer que o filósofo americano, em Uma Teoria da Justiça, faz algo que vai além de um experimento político: o livro é um manifesto por uma luta pela liberdade que vá além de um estado minimalista e tenha uma preocupação cívica com os menos favorecidos.

Para entender como os conceitos do livro são traçados e a importância do liberalismo social de John Rawls, o Clube do Livro se reunirá no próximo domingo, dia 19, para debater Uma Teoria da JustiçaClique aqui para receber o link para o nosso webinar!

Para entender melhor o pensamento de John Rawls

  • O capítulo sobre ele e outros neocontratualistas no livro O Liberalismo – antigo e moderno, de José Guilherme Merquior.
  • O primeiro capítulo da tese de Fabricio Pontin sobre Rawls.
  • O livro Liberalismo Político de John Rawls.